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Conte uma históriaConte uma história

Aqui vão algumas sugestões de leituras para fazer em sala de aula, com dicas de atividades para desenvolver com a turma.


Sargento Verde

Como tantos outros contos de fadas, esta é uma história muito antiga: uma versão portuguesa data de 1560. Ela tem as deliciosas características da fase carochinha. Texto longo, com revezes inesperados, a distância entre o bem e o mal, o certo e o errado, a fantasia, além dos objetos e lugares mágicos.

É possível que alguns professores conheçam outras versões, alguns recontos ou releituras. Vamos tentar lembrar?

O objetivo principal do trabalho com histórias é o exercício da criatividade e da sensibilidade. Mas é possível, interessante e didaticamente rico o trabalho com as narrativas, desde que não estejam atreladas a qualquer atividade "que valha nota". O importante é deixar que essas atividades entrem no cotidiano escolar das crianças como uma continuação da própria história ouvida e que exercitem a capacidade de também inventar e contar histórias que todos nós possuímos.
  1. As crianças inventam novos finais para a história a partir de um determinado momento.Talvez quando o sargento salva a princesa de dentro do mar, pois é um momento importante para a história, quando o sargento verde já resolveu os problemas a que foi exposto.

  2. As crianças são convidadas a trocar as aventuras por outras. Sozinhas ou em grupos podem escolher novas aventuras para o sargento verde. Que outros desafios, ele poderia enfrentar e resolver?

  3. O texto pode ser lido em etapas, deixando momentos de expectativa para a próxima leitura.

  4. Pode ser feito um trabalho coletivo com duas ou mais salas de aula. Uma parte da história é contada para um sala e outra parte em outra sala. As crianças se encarregam de contar aos seus colegas de outra turma a parte faltante. É um excelente exercício de memória e de diálogo entre as turmas. Os professores envolvidos podem criar situações muito interessantes de intercâmbio com os alunos.

  5. As crianças são convidadas a desenhar os personagens coletivamente.

  6. As crianças são convidadas a ler ou contar a história para alunos menores; o que é um exercício também muito bom para construção de autonomia do aluno e de um trabalho coletivo.

  7. As crianças são convidadas a ler ou contar a história em casa e depois relatar para a turma o resultado da leitura.

  8. Que tal uma visita à biblioteca? Será que encontramos esta história em algum livro? Alguma parecida?

  9. Que tal uma visita a nossa memória? Em quais outros contos de fada encontramos situações parecidas? Esta é uma atividade importante para começar a formar nas crianças a idéia de gênero literário, pois a partir do momento em que começa a perceber as características fundamentais dos contos de fadas, das crônicas, das poesias é possível começar a identificar os gêneros e adiantar conhecimentos importantes para o futuro.

  10. As crianças são convidadas a dramatizar a história. Quem será quem? Por que?

Sargento Verde

Era uma vez um homem muito rico, que tinha uma filha muito linda. Um dia apareceu um moço, também muito lindo, que quis casar com ela. Foi combinado o casamento, mas Nossa Senhora, que era madrinha da moça, apareceu-lhe num sonho e disse:

- Meu filho, toma cuidado, porque vais casar com um homem muito mau. Ele é uma fera encantada. Depois do casamento, seu marido há de querer levar-te para a casa dele e o que tens de fazer é o seguinte: irás montada no cavalo mais magro que houver; quando chegares a um ponto do caminho, onde há uma encruzilhada, seu marido quererá tomar pela esquerda; você tomará pela direita e nesse momento você mostre a ele uma enorme e perfumada rosa vermelha. Ele será desencantado e virará fumaça.

Afinal chegou o dia do casamento e houve grandes festas, mas desde a noite do sonho a moça andava numa grande tristeza. As palavras de Nossa Senhora não lhe saíam da imaginação.

Na hora da partida, trouxeram-lhe um lindo cavalo. Ela recordou-se do sonho e não quis montar nele; pediu outro - o mais magro e feio que houvesse. O pai estranhou aquela esquisitice, mas a moça tanto insistiu que ele teve de ceder - e lá se foi ela no cavalo mais magro e feio que havia.

Quando chegaram à encruzilhada, o marido quis que a moça tomasse pelo lado esquerdo, dizendo ser esse o caminho que levava à sua casa.

- Vá o senhor na frente, respondeu a moça, eu sigo atrás - e assim que ele enveredou pela esquerda, ela tomou pela direita e jogou-lhe a rosa.

Mal fez isto, ouviu-se um estouro e o ar se encheu de fumaça.

A moça continuou a galope por aquele caminho da direita, até que bem lá adiante teve a idéia de mudar de figura. Apeou, cortou os cabelos e vestiu-se de homem, trajando uma roupa toda verde. E verdinha assim, chegou a um reino onde se ofereceu para entrar no exército do rei como sargento.

O rei gostou muito daquele sargento, a ponto de convidá-lo a passear com ele pelos jardins do palácio. E tantos passeios houve que a rainha ficou apaixonada pelo sargento e lhe declarou o seu amor. Mas o sargento respondeu: "Senhora, jamais trairei meu rei."

A rainha ficou furiosa e então contou uma enorme mentira para o rei.

- Saiba, meu senhor Rei que o Sargento Verde anda se gabando de que é capaz de subir à cavalo as escadarias do palácio, jogando para o ar três laranjas e aparando-as no mesmo copo.

Admirado daquilo, o rei mandou chamar o Sargento Verde e contou-lhe o caso. O Sargento Verde respondeu: a rainha minha senhora afirma que eu disse, então estou pronto para fazer.

Disse aquilo por dizer, pois não queria falar mal da rainha e ficou muito triste. Foi então conversar com seu cavalo e contou-lhe a tristeza que passava. O cavalo aconselhou-a a que não se entristecesse e que no dia marcado fizesse como a rainha queria.

No dia marcado, o Sargento Verde se apresentou para a grande prova e, de fato, subiu e desceu as escadarias, montado em seu cavalo magrinho e feio e lançou ao ar três laranjas que aparou direitinho no copo, sem errar uma só.

Recebeu muitos aplausos de toda a corte, menos da rainha que ficou ainda com mais raiva.

Dias depois, num dos seus passeios pelos jardins do palácio, a rainha achou jeito de novamente lhe declarar amor e pela segunda vez o Sargento respondeu que jamais trairia seu rei. A rainha, ainda mais brava, inventou que o Sargento Verde andava dizendo que era capaz de plantar uma bananeira na hora do almoço e ter bananas maduras na hora do jantar.

O rei mandou chamar o Sargento Verde e indagou dele se era verdade aquilo. O Sargento Verde respondeu que nada havia dito, mas como não queria desmentir a rainha estava pronto para plantar a bananeira.

Disse isso e foi, muito triste, conversar com o cavalo magro, o qual lhe falou que plantasse a bananeira no pátio e deixasse o resto por sua conta.

No outro dia, lá pela hora do almoço, o Sargento Verde foi e plantou uma muda de bananeira e a planta começou logo a crescer de modo que quando o jantar foi posto na mesa, já havia bananas maduras.

Todos ficaram muito admirados e a rainha ficou mais raivosa. Não satisfeita foi dizer ao Rei que o Sargento Verde era capaz de cavalgar sobre ovos em quebrá-los. Tudo se passou como das outras vezes. A moça conseguiu fazer a prova e todos se admiraram ainda mais.

Mas a rainha ainda inventou uma última e pior mentira para o Rei. Disse que o Sargento era capaz de ir até o fundo do mar e resgatar a princesa, irmã do rei, que estava aprisionada por um monstro.

O rei ficou muito espantado com tal notícia e chamou imediatamente pelo Sargento Verde que, mais uma vez, colocou-se à disposição do rei para fazer a prova.

Não se preocupe disse o cavalo da moça. Arranje uma garrafa de azeite, um saquinho de sal e um papel de alfinetes; depois monte em mim e vá para a praia; lá puxe pela abertura e vá até onde estiver a moça; agarre-a e ponha-a na garupa e toque para trás. Mas muito cuidado com o monstro que guarda a princesa; ele vai persegui-la, e o meio de evitar isso é derramar o saquinho de sal e depois soltar os alfinetes. Durante a corrida a moça pronunciará três palavras. Tome sentido nestas palavras.

O Sargento Verde prestou a maior atenção e fez tudo conforme seu cavalinho havia dito. Quando chegou à praia, puxou a espada e cortou as águas em cruz. Imediatamente as águas se abriram e ele entrou, e foi até onde estava a princesa encarcerada. Agarrou-a, botou-a na garupa e voltou correndo para a praia. Assim que saiu do mar, a moça disse: Já! Ele tomou nota da palavra e viu que o monstro vinha correndo atrás deles. Lembrando-se da recomendação do cavalo, derramou o saquinho de sal. Imediatamente formou-se uma cerração que atrapalhou o monstro a ponto de fazê-lo parar, sem saber para onde se dirigir. Enquanto isso, Sargento Verde continuava no galope, com a moça na garupa. Logo adiante, ela murmurou: Bela! O Sargento anotou a palavra e viu que o monstro tinha rompido o nevoeiro e vinha vindo na disparada. Então soltou no ar os alfinetes. Imediatamente se formou uma floresta de espinheiros que o monstro não pôde atravessar.

Logo depois a princesa, avistando o palácio, murmurou: Tudo! E o Sargento Verde tomou nota. Chegaram, houve grandes festas e a rainha ficou ainda mais apaixonada pelo Sargento Verde.

Mas a princesa trazida do fundo mar não falava. Além das palavras ditas durante a viagem não pronunciou nem mais uma só. Todos se convenceram de que era muda e a rainha se aproveitou disso para lançar outra mentira. "Ele anda dizendo que pode fazer a princesa falar!"

O Sargento, sabendo disso, perguntou ao cavalo o que fazer.

- Não tenha medo de nada. Dê-lhe um grande susto e ela falará tudo.

O Sargento fez exatamente o que o cavalo ensinou e a princesa então desandou a falar: Já quer dizer que já estou livre de muitos trabalhos. Bela quer dizer que o Sargento Verde é, na verdade uma bela mulher e Tudo quer dizer que a rainha, sem saber que o Sargento é mulher, desejou levá-lo para longe.

O rei ficou muito assombrado com essas palavras e então o Sargento Verde apareceu com sua roupa verdadeira e mostrou ser aquela bela moça do começo de nossa história. Neste momento, o cavalo, que era encantado, se transformou num lindo príncipe e se casou com a princesa. A rainha, muito triste, foi embora para um país distante e nunca se ouviu falar nela. O Rei, então sozinho, casou-se com a bela Lucinda, que deixou de ser Sargento, e foram muito felizes.

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